naquele clima de romance de época

eu já comentei em meu perfil que eu escrevo tanto romances de época quanto contemporâneos, e como estou em clima de histórias do tempo da vovó (em breve direi por quê), decidi listar

CINCO CURIOSIDADES SOBRE “O LENÇO VERMELHO”

meu primeiro romance de época que se passa no Brasil – e o único até o momento publicado na Amazon/Kindle Unlimited, enquanto os outros desse subgênero se passam na Inglaterra.

(eu tenho outro no Wattpad que acontece aqui no Brasil)

01: o romance se passa em 1932

eu escolhi o ano de 1932, em Salvador, para situar “O Lenço Vermelho” porque é uma época de mudanças sociais e políticas interessantes – em especial a parte da política, que eu não tinha tanto conhecimento (as mudanças de poder, a saída de grupos políticos tradicionais e a chegada de novas forças que até hoje conhecemos por nome e sobrenome) – para estruturar uma história.

e também porque a Salvador de 1932 ainda está no meio-termo entre a “velha Bahia” (de antes da Avenida Sete) e a Salvador da expansão urbana das avenidas de vale e da Paralela.

Pense que 90 anos depois essas ruas estarão apinhadas de foliões correndo atrás de um trio

02: inspiração em true crime

na época em que comecei a pensar algo sobre “O Lenço Vermelho”, estava numa fase em que ouvia muito podcast de true crime – e essas audições influenciariam na construção do mistério da história: um, sobre o “assassino do lenço vermelho” (ele usava um lenço para enforcar suas vítimas, todas mulheres entre 20 e 30 anos); e dois, sobre outro segredo que só lendo pra saber.

03: o mocinho estranhamente moderno

Antonio Alencar, um dos protagonistas do livro (será que ele é mesmo o assassino?), é um personagem que tem comportamentos que poderiam ser considerados modernos para a época, e que são explicados durante o livro. um desses comportamentos está relacionado a como ele pensava os direitos dos operários de sua tecelagem e como melhorar a qualidade de vida desses trabalhadores.

trecho do capítulo “Châtiment”

isso aqui parece super moderno para os anos 1930, mas na verdade eu peguei emprestado uma ideia que realmente foi colocada em prática no final do século XIX por um empresário baiano chamado Luis Tarquínio. ele foi o criador da primeira vila operária do país, além de disponibilizar para seus trabalhadores alguns benefícios que só apareceriam na vida comum umas boas décadas depois, a exemplo da licença-maternidade.

Luis Tarquinio e Antonio Alencar: separados por um lenço vermelho (e 30 anos de existência entre um e outro)

04: mocinha órfã que continua no orfanato após a maioridade

Teresa Mattos, a mocinha do livro, foi criada em um orfanato (chamado “Asilo dos Expostos”), e ao chegar aos 21 anos (que era a maioridade na época) continuou dentro do orfanato. quando a conhecemos, ela vive e trabalha no Asilo dos Expostos, mesmo em idade adulta.

não é uma estratégia de roteiro – em uma das pesquisas que fiz para o livro, alguns dos orfanatos de Salvador tinham como internos jovens que chegaram à maioridade e permaneceram nesses locais. a pesquisa era basicamente um censo, que revelou a presença desses órfãos por lá por mais tempo do que os 21 anos da sua maioridade. é o caso de Teresa, que antes de ir trabalhar na casa do Sr. Alencar, estava considerando se encerrar num convento ou arranjar um roçado em São Caetano (que hoje não é mais uma região rural, e sim um bairro bem populoso em Salvador)

05: uma viagem pela salvador de 1932

além do romance entre Teresa e Antonio (afinal de contas, a gente pode se encantar pelo Sr. Alencar? ou ele é um assassino?), “O Lenço Vermelho” é uma viagem pelo cotidiano da Salvador de 1932. são idas e vindas de bonde, aquela nadada na praia da Barra, um joguinho de cartas na casa dos amigos entre uma bebida e um cigarro, além de apreciar um match entre o Bahia e o Ypiranga, grande força do futebol baiano da época, no Campo da Graça (não tinha Fonte Nova tampouco Barradão em 1932). rotinas dos personagens que ajudam a entender quem eles são, fazem a história correr, ou dão contexto, cor e sabor à história que está sendo falada.

não há “O Lenço Vermelho” sem Teresa conhecendo o futebol, ou as conversas entre ela e Antonio sobre um “autor novato” cujo lançamento interessou ao industrial, um certo livro chamado “O País do Carnaval”, ou as discussões políticas durante o carteado.


se você quiser viajar também pela Salvador de 1932, e acompanhar uma história de amor onde VOCÊ também desconfia do mocinho – assim como Teresa, “O Lenço Vermelho” está disponível na Amazon e no Kindle Unlimited, físico na Uiclap.


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