cometi este post (na época do medium) para confessar meus gostos musicais da adolescência

O ano de 1969 ficou conhecido como o ano de Woodstock, auge da contracultura (e também quando o negócio ficou mais perigoso lá nos EUA, if you know what I mean; aqui a gente vivia o AI-5, então as coisas estavam perigosas há muito tempo) e a urgência de músicas, sons e artistas que tornaram o final dos anos 1960 uma fase brilhante para o rock, o soul…

É neste contexto específico que o Grammy de 1970, que premiou as bandas, artistas solo, músicas e álbuns mais bem sucedidos do ano anterior, se coloca buscando refletir os anseios dessa geração.

mas como o papo aqui é sobre gravação do ano…

hora de falar um pouco sobre quem foram os indicados naquele ano:

  • “Aquarius/Let the Sunshine In”, The 5th Dimension
  • “A Boy Named Sue”, Johnny Cash
  • “Is That All There Is?”, Peggy Lee
  • “Love Theme from Romeo and Juliet”, Henry Mancini
  • “Spinning Wheel”, Blood, Sweat and Tears

Mesmo em 1970, o prêmio de Gravação do Ano continuava sendo a categoria dos hits (todas as músicas indicadas fizeram muito sucesso na época), representando vários espectros do que era música popular no período — desde o country/folk, passando pelo jazz, o rock (no caso o jazz-rock), música instrumental (no caso, trilha de filme) e o psychedelic soul (subgênero do soul onde a musicalidade é mais dissonante, focada em instrumentais mais do que nas letras, mas as letras vão nessa linha “portas da percepção”, “longe da órbita”. Bons exemplos são o Temptations com Norman Whitfield na produção e Dennis Edwards nos vocais e o Sly and The Family Stone)

Destes cinco indicados, têm dois que melhor representam essas “dissonâncias” da época — o Blood, Sweat and Tears, que estava no auge, e ainda tocou em Woodstock, e o The 5th Dimension, que era um grupo vocal também de psychedelic soul, além de pop, soul de R&B.

Ou seja, um possível prêmio está aqui… e quem foi o vencedor?

“Aquarius/Let the Sunshine In” não é desconhecida, de forma alguma — essa faixa você deve ter ouvido a versão em português em algum lugar, e se viu “Hair”, conhece as duas músicas, já que são medley de duas faixas do musical (aliás, muito bem feito, porque são ritmos diferentes, tocados de maneira quase seguida, e funciona! cortesia do produtor Bones Howe). A música foi um hit massivo em 1969, mundialmente conhecido e foi simbolo da época — afinal de contas, quem nunca falou sobre a “era de Aquarius”? Vem dessa música. A pegada mística também ficou muito popular no período.

Também facilitou o fato da banda estar estourada na época (era o auge musical do The 5th Dimension), aliada à uma música super popular e bem-produzida, uma receita de sucesso para um Grammy de Gravação do Ano.

*importante ressaltar que eles já tinham serviços prestados nesta mesma categoria: levaram o prêmio por “Up, Up and Away”, em 1967.

Mas se não fosse o The 5th Dimension, quem levaria esse prêmio? Bem, eu já dei a dica lá atrás:

O Blood Sweat and Tears TAMBÉM estava no auge nessa época — como falei lá atrás, eles tocaram em Woodstock, eram o grupo de rock do momento e “Spinning Wheel” (que é excelente) foi hit. Esse som deles, jazz rock (piano, instrumentos de sopro bem definidos, a bateria super marcadona fazendo viradas marcantes), estava bombando no período, cortesia de James Guercio, mesmo produtor de Chicago (uma banda que eu ouvi horrores na adolescência — o som do Chicago antigo é muito nessa pegada, ouça “Saturday in the Park” e perceba as semelhanças).

Bem, como eles ganharam Álbum do Ano nesta mesma cerimônia, caso não tivesse “Aquarius…” na jogada, eles seriam a escolha ideal para “Gravação do Ano”.


Vamos sair do túnel do tempo por um instante e daqui a pouco eu volto, desta vez para 1971 e o vencedor de Gravação do Ano. Uma dica: é sobre uma dupla muito famosa…


Descubra mais sobre Duas Tintas

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe um comentário

Descubra mais sobre Duas Tintas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue lendo