há um álbum muito bom escondido por aqui

antes de começar esta resenha, um disclaimer: eu sempre fui muito neutra em relação a Taylor Swift, tanto que eu acho que a prova de que eu não sou fã é que meu álbum favorito dela é o Red

agora vamos à conversa: existe um álbum dentro de “The Life of a Showgirl” que poderia conversar com a estética e o que se esperaria de um álbum de Taylor Swift – considerando todas as suas experiências atuais, duas perspectivas seriam interessantes: a primeira, estar no topo do mundo, mas estar sozinha nesse topo, até encontrar alguém que entenda exatamente o que é estar nessa posição; e a segunda, tratar sobre o lado sombrio de estar no topo, o lado sombrio e solitário da fama… Até conhecer alguém que entende essas complexidades dela

a estética visual apresentada por Taylor antes de lançar o álbum – e tudo que a gente poderia especular a partir disso – precisava de algo grandioso, decadente, excessivo em sua musicalidade… e o álbum é super slow, de escopo pequeno; o que, considerando que ela trabalhou com Max Martin e Shellback, que entregaram essa grandiosidade pop pra ela antes, parece um trabalho que precisou de mais recheio.

esse descompasso entre estética e produção também se reflete nas letras – eu sempre gostei da capacidade de Taylor Swift em CONTAR UMA HISTÓRIA e eu imaginar essa história de forma vívida. poucas músicas conseguem trabalhar isso no álbum, como “Ruin the Friendship” (minha favorita, com sua surpreendente linha de baixo marcada) e “The Fate of Ophelia” (o honesto lead single), mas de resto, a sensação é de que os arranjos tentam salvar letras que são aquém do nível que ela sempre apresentou.

o que me leva ao terceiro ponto: há arranjos que poderiam guiar o álbum todo e apoiar na estética, mesmo que não ficasse tão grandioso e decadente – como a vibe de “Wood” com sua inspiração em Jackson 5 – e esse caminho pop/rock/disco/vocais a la Motown seria um percurso muito bem pensado para uma vocalista técnica e que poderia contar histórias interessantes a serviço de arranjos que ampliariam o escopo do álbum, apresentando uma perspectiva mais fresh, moderna, surpreendente.

mas essa expectativa é para um álbum que eu queria – eu, pessoa que gosta de R&B e de coisas retrô dos anos 70 e 80 – e não o álbum que foi lançado, e que tem até algo similar escondido, e tem sim um potencial absurdo, mas que fica enterrado nesse estranho descompasso. e, considerando quem é a artista responsável pelo projeto e o nível de cuidado em cada um de seus trabalhos, me deixou surpresa de uma maneira que eu não esperava.

e vocês, o que acharam? podem falar nos comentários.


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