não, as músicas não são iguais

e eu digo isso porque neste álbum Bruno Mars consegue equilibrar seus dois lados, o mais romântico e o mais bem humorado, dentro de arranjos mais sofisticados que em outros trabalhos solo dele, de uma maneira mais madura e equilibrada, mostrando plena convicção da sonoridade que ele está trabalhando, e maturidade para misturar todos esses gêneros em algo que é a cara dele.
antes de falar sobre “The Romantic”, é importante fazer uma timeline dos álbuns anteriores (solo e o Silk Sonic) do Bruno Mars para que vocês entendam que esse novo material não é igual aos outros.
resumo bem resumido do que você encontra nos álbuns do Bruno Mars

“Doo-Wops and Hooligans”, 2010
pop com inspiração retrô, anos 50 e 60

“Unorthodox Jukebox”, 2012
maior variedade de ritmos, dos anos 60-80, incluindo, pop, rock, reggae, soul e disco

“24K Magic”, 2016
R&B dos anos 80 (começo da década) e new jack swing (R&B mais pop do final dos anos 80/início dos 90)

“An Evening with Silk Sonic”, 2021
R&B e soul dos anos 70
em “The Romantic, a inspiração continua no R&B e no soul dos anos 70, mas com uma variedade de arranjos e outras referências, como disco, rock e batidas latinas (algo que, se não me engano, aparece pela primeira vez na carreira, mostrada de maneira mais explícita na balada meio bolero “Risk it All”, que prova: Bruno Mars andou ouvindo muito Luis Miguel para compor esse álbum)
o que eu acho mais interessante neste material é como o tema “romance” (desde os flertes, as ficadas, até os altos e baixos do relacionamento em si) tem os elementos líricos que a gente já conhece do próprio Bruno, desde o humor, a sinceridade, além do clichê do romance. o que me lembram bem do que ele fez no “Unorthodox Jukebox”, que era um Bruno mais jovial, mais “vivendo a vida”, enquanto aqui, quando chega na parte mais complexa do fim de relacionamento – particularmente em “Nothing Left”, a melhor letra do álbum, com potencial fortíssimo de deepcut querida dos fãs), há uma maturidade e elegância que mostra a evolução nos arranjos, na caneta e em como o próprio Bruno evoluiu como artista dentro do nicho, do universo que ele construiu, dessa investigação do pop e R&B, da música estadunidense no geral, a partir dos throwbacks.
os arranjos também provam essa maturidade – algumas viradas inesperadas, os solos de guitarra que me fizeram pensar “cadê meu álbum de rock, Bruno?”, mas “Something Serious” (fortemente inspirada em Santana) já acalma minha ansiedade – aliás, essa é uma das minhas favoritas, há humor aqui, aquela piscada de olho do flerte, e um arranjo sexy, dançante e vibrante que, de novo, a gente viu em uma versão mais jovem e despreocupada em “Unorthodox Jukebox”.
eu considero “The Romantic” o primo do segundo álbum, mas do outro lado da família.
e eu acho que muito dessa evolução e dessa firmeza, dessa coerência em todo o material (obviamente a pior música aqui é o lead, “I Just Might”, o que depõe a favor do álbum) é porque novamente ele está trabalhando com D’Mile, já conhecido dele – eles trabalharam no Silk Sonic, estiveram juntos com “Die With a Smile” – e é visível que rolaram muitos “nãos” nesse projeto, que D’Mile desafiou aqui, que houve um trabalho pensado, que sentaram, que ajustaram, que há algo aqui vibrando, e o resultado são nove músicas incríveis, de arranjos excepcionais e que são sim, uma evolução e um olhar para frente mesmo olhando para trás, porque soam fresh, soam novas, não soam 2012. não parecem ter vindo de um álbum antigo do Bruno – elas conseguem soar atemporais mesmo lançadas há dois dias.
agora, sobre a semelhança entre “Risk it All” e “Imprevistos”, do Pablo, eu tenho certeza de que já tem advogados conversando dos dois lados.
e vocês? o que acharam do álbum? quais são as suas favoritas? deixem suas opiniões aqui nos comentários!



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